DINHEIRO-CARIMBO - Best Money
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DINHEIRO NÃO TEM CARIMBO

DINHEIRO-CARIMBO

DINHEIRO NÃO TEM CARIMBO

“Lutemos por um mundo novo… um mundo bom que a todos assegura o ensejo de trabalho, que dê futuro à juventude e segurança à velhice.”

Charles Chaplin

De tempos em tempos, uma palavra (ou expressão) ganha destaque por tentar traduzir, per se, algo complexo, onde se fariam necessárias algumas boas linhas para explicar, de maneira didática, o seu significado.

O filosofo polonês Zygmunt Bauman, falecido no início deste ano, resgatou e lapidou um conceito francês, surgido na década de 1980, que, atualmente, está na moda: Precariat. De forma resumida, envolve trabalhadores que são afetados pelo fenômeno da globalização e da automação e que, por viverem em situações “precárias”, buscam emprego (inclusive fora do seu país), em troca de baixos salários, aceitando, inclusive, ficar à margem da “rede de proteção” do Estado.

Não podemos desassociar eventos que estão ocorrendo no mundo, recentemente, desse tema. O Brexit, a vitória de Donald Trump, a ascensão surpreendente de Marine Le Pen na última eleição francesa, e até mesmo a decepção de muitos eleitores com partidos trabalhistas, são bons exemplos.

O fenômeno da globalização e, mais ainda, a revolução da cibernética/inteligência artificial, estão provocando uma “revolução” no mercado de trabalho. Francamente, não penso que seja algo impensável, pois Charles Chaplin já havia sugerido tal movimento em seu fenomenal “Tempos Modernos (1936)”. Porém, diferentemente do que muitos imaginam, o que vem ocorrendo pode não ser necessariamente uma mudança para pior.

dinheiro

Recentemente, tive acesso a uma pesquisa que revela que empresas que automatizaram “violentamente” seus processos aumentaram suas receitas entre 15% e 20%, o que pode se traduzir em mais contratações e (aí vem a boa surpresa) aumento da criatividade dos empregados, uma vez que permite que eles estudem mais, se especializem, melhorando a produtividade total.

Nesse sentido, penso que não devamos olhar o que vem ocorrendo no mercado de trabalho como algo efetivamente ruim, onde as pessoas perderão seus empregos para as máquinas, pois tal situação é inexorável! O que deveríamos objetivar são os caminhos para se chegar à situação descrita acima.

Estou convencido de que o processo passa por educação, preferencialmente de qualidade. Vários são os estudos que comprovam a aderência entre bem-estar e crescimento econômico, com aumento da produtividade do trabalhador. Infelizmente, nesse quesito, estamos muito atrás dos países mais desenvolvidos. Se o leitor acredita que a comparação é desleal, então basta compararmo-nos com a Coreia do Sul, há pouquíssimas décadas.

O problema que impede esse baixo viés de investimentos em educação em nosso país é, a meu juízo, o tamanho do Estado. Como sempre digo aos meus alunos de Economia, “dinheiro não tem carimbo”. Todavia, nossa Constituição de 1988 criou tal “carimbo”, ao destinar percentuais significativos de gastos específicos para saúde e educação. Sendo assim, fica a indagação: Se o Estado é paquidérmico, como atender a todas as demandas, sem sabermos de onde virão os recursos? Dinheiro não nasce em pé de árvore.

Nesse sentido, as reformas que estão em discussão no Congresso, para “ajustar” o tamanho do Estado à sua capacidade tributária, são imperativas. Não adianta termos aprovado a PEC do teto dos gastos se o déficit da Previdência não for revertido em breve. São vetores que se opõem! Sendo assim, não obstante a mazela política que nos aflige nos dias presentes, seria de bom tom que as reformas pudessem seguir de forma célere, independentemente de pessoas ou partidos a nos governar. Talvez seja uma quimera de minha parte…
Vivemos num mundo desafiador. Os desafios demandam soluções complexas e, na maior parte das vezes, impopulares. Todavia, é preciso perseverar! Priorizar os investimentos em educação não pode ser apenas uma opção. Prestigiar professores e alunos, incentivando a pesquisa e dando valor à experiência, é a melhor alternativa de que dispomos. Se não for assim, infelizmente, adicionaremos muitos brasileiros a esse grupo de precariats.

Alexandre Espirito Santo, Economista da Órama e prof. IBMEC-RJ

Alexandre Espírito Santo
economista@orama.com.br

Economista pela UERJ Mestre em economia, membro imortal da Academia Nacional de Economia.

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