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1996
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O TROCADILHO IMPOSTO

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O TROCADILHO IMPOSTO

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, anunciou que, na semana que vem, decidirá se o governo vai precisar elevar os impostos

, quando da revisão da meta de déficit para 2017. Segundo relata a imprensa, o presidente Temer não está convencido de que seja uma boa ideia. Espero, sinceramente, que não ocorra. Nosso país já possui uma abissal carga tributária e uma nova rodada de aumentos vai asfixiar ainda mais quem já está com enfisema.
No Brasil, um assalariado (de classe média) trabalha até final de maio somente para honrar tributos. Até aí tudo bem, se o governo disponibilizasse serviços de qualidade para todos, como educação, saúde e segurança. Mas, infelizmente, sabemos que essa não é a verdade.

Como professor de economia, tento explicar, como se fosse para um leigo, de que forma funciona um importante conceito macroeconômico: o multiplicador keynesiano. Vamos e ele: se o governo vai fazer uma obra, o empreiteiro contratado buscará trabalhadores (muitos desempregados) para executá-la. Esses, agora empregados, começarão a ter renda. Como o consumo desse trabalhador depende da renda percebida, o mesmo passará a consumir mais bens e serviços. Essa elevação de consumo gera aumento da produção e mais emprego. Assim, a economia vai se movimentando e multiplicando renda, através do consumo de outros trabalhadores, que vão se inserindo no mercado. Resumindo: sob essa ótica, a demanda se fortalece pelo consumo, e a economia entra num ciclo virtuoso.
Se analisarmos sob a ótica keynesiana, os impostos, quando se elevam, reduzem o multiplicador dos gastos e dos investimentos privados. Isso ocorre porque os tributos reduzem a renda disponível das famílias, afetando para baixo o consumo das mesmas.

 

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Vou lhes dar um exemplo numérico.

Admita que a propensão marginal a consumir da economia seja de 75%. Em outras palavras, dado um aumento de renda de R$ 100, R$ 75 serão destinados para o consumo familiar. Admita, igualmente, que a alíquota corrente do IR seja 10%. Nesse caso, se supusermos uma economia fechada para o resto do mundo, o multiplicador keynesiano será 3x. Para os que não são familiarizados com o tema, se o governo elevar seus gastos em R$ 100, a renda da economia cresceria, adicionalmente, R$ 300.

Imagine, agora, que o governo aumente a alíquota do IR em 5 pontos, para 15%. Assim sendo, tudo o mais constante, o multiplicador da economia cairia 8% (dos 3x para 2,75x). Em outras palavras, uma vez que o governo aumente o imposto, a tendência é de uma redução no multiplicador keynesiano, além de um PIB menor. No meu exemplo, um aumento de R$ 100 no gasto público, ou no investimento autônomo dos empresários, faria o PIB crescer marginalmente R$ 275 e não mais R$ 300, como antes.

OBS: Apesar de não ser um economista da escola keynesiana, penso que a explicação (dessa forma) seja adequada.

O governo estabeleceu uma meta de déficit de R$ 140 bilhões para 2017 e quer cumpri-la. Penso que seja correta a decisão. O problema é que o país está começando a se recuperar da pior recessão de sua história, e a elevação de tributos não fará bem para o paciente. Cortes e reformas são dolorosos, porém indispensáveis num momento de sacrifício que, por conta de medidas equivocadas adotadas por governos passados, nos foram impostas. Ou seja, já foi imposto o sacrifício. Mas, agora, ainda querem mais imposto?

Alexandre Espirito Santo, Economista da Órama e prof. IBMEC-RJ

 

Alexandre Espírito Santo
economista@orama.com.br

Economista pela UERJ Mestre em economia, membro imortal da Academia Nacional de Economia.

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