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OLHANDO AS ESTATÍSTICAS

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OLHANDO AS ESTATÍSTICAS

Os índices acionários americanos terminaram a semana passada registrando renovadas máximas históricas.

No dia 16 de fevereiro, o presidente Donald Trump, em sua conta do Twitter, celebrou mais um “all time high” dos mercados (foram sete praticamente consecutivos), comemorando, na visão dele, a confiança e otimismo em seu governo, salientando que tudo isso ocorre antes mesmo da divulgação do pacote de redução de impostos, que prometeu para breve.

Sem dúvidas, o comportamento do mercado de ações por lá é fantástico. Investidores já vislumbram, por exemplo, o Nasdaq em 6.000 pontos, após o Dow Jones superar os 20.000. Janet Yellen, presidente do FED, explicou, há poucos dias (em seu testemunho ao Comitê de Finanças do Congresso), que os agentes econômicos estão antecipando uma nova política fiscal, claramente expansionista. Esse é também, na minha forma de ver, o motivo dos índices acionários estarem nos píncaros. No Brasil, o Ibovespa prossegue com sua performance invejável.

Somente nesses poucos dias de 2017, o mercado paulista já subiu quase 15%, atingindo os 68.000 pontos. Não seria diferente, pois os mercados, ao longo do globo, estão correlacionados, certo? É aí que vem minha dúvida: a conexão do mercado tupiniquim é maior com um índice americano ou com o índice chinês?

A pergunta acima procede, uma vez que tenho ouvido de muitos analistas do nosso mercado que devemos ficar atentos ao comportamento da bolsa de Xangai, pois as cotações do minério de ferro e do petróleo dependem fundamentalmente do desempenho econômico daquele país. Como somos produtores de commodities, e o país se favorece com a alta das mesmas, nosso mercado “voará” enquanto o chinês estiver firme. Em outras palavras, o que entendo desse pensamento é que o mercado americano poderia realizar, que sofreríamos relativamente pouco. Será assim mesmo? Desconfiado dessa assertiva, fiz um estudo, pegando as cotações semanais (desde 2013) do Ibovespa, Nasdaq e SSECO (índice da bolsa de Xangai).

Nesse período, fazendo os devidos ajustes e comparações, constatei que: 1) Em 65% das semanas, houve uma mesma tendência entre o Ibovespa e o Nasdaq (se lá subiu, aqui subiu e vice-versa); 2) Em 56% das semanas, houve uma mesma tendência entre o Ibovespa e o SSECO. Não levei em conta magnitude, somente direções. Estatisticamente, portanto, estamos mais atrelados a um índice americano do que ao chinês. Isso desmonta a tese de que devemos olhar para Xangai primeiramente e não para Wall Street.

Voltando ao assunto inicial, vemos um comportamento de euforia nos agentes econômicos americanos, menosprezando alguns sinais, como o pleno emprego de mão-de-obra e a inflação na meta. Uma política fiscal expansiva, com redução de tributos e aumento de gastos, é potencialmente inflacionária e fará o FED agir. Em minha visão, o FED subirá a taxa em dois ou três encontros ao longo de 2017. Na hora em que o mercado americano perceber que os múltiplos estão exageradamente elevados, com taxa de juro mais para cima, as chances de realizações mais expressivas no mercado americano aumentarão. Se a estatística funcionar, você já sabe o que deverá ocorrer com o mercado daqui. É preciso, no mínimo, ter cautela!

Alexandre Espirito Santo, Economista da Órama e prof. IBMEC-RJ

Guilherme Martino
estudiogarra@gmail.com
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