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O PAI DO FIUK

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O PAI DO FIUK

Ao longo de minha carreira como professor, percebi que os alunos aprendem melhor quando uso metáforas e dou exemplos associados à vida real. Dessa forma, muitas vezes, associo algo que esteja ensinando com letras de música, com alguma manifestação de um artista famoso, por exemplo. O maior problema é que há uma distância de três décadas entre minha geração e a deles, daí ter que usar de criatividade para poder utilizar-me dessa “didática”.

Depois de vários anos, a economia americana parece dar sinais consistentes de recuperação sustentada. Algumas estatísticas, recém-divulgadas,mostram um quadro mais harmonioso, pós-crise de 2008A inflação em torno de 2%, medida pelo IPC anualo mercado de trabalho próximo do chamado pleno emprego (4,5%) ensejam que a normalidade, finalmente, está de volta. Apesar do crescimento do 1º semestre de 2017 ter sido abaixo das expectativas, o senso comum indica que osmercados passarão a olhar com ainda mais atenção os movimentos do FED.

No cenário macroeconômico que tracei no final do ano passado, projetei três elevações de juros nos EUA para 2017 (uma já ocorreu), pois essa melhora estava em meu radar. Já me antecipando, prevejo ao menos três outras altas em 2018. Assim, se estiver correta minha análise, a taxa de juro americana atingirá o intervalo entre 2e 2,5a.a. no médio prazo. Em outras palavras, chegou a hora do FED desmontar seu arsenal “heterodoxousado para debelar as consequências recessivas da debacle das subprimes e promover uma correção de rotaDessa forma, é de se esperar que encerre osQuantitative Easing (QEs) e volte apresentar um balanço mais “limpo”, consistente e equilibrado.

A política monetária americana sempre foi motivo de discussão. Desde Breton Woods (a começar pelo famoso Dilema de Triffin), até os dias presentes (quando o BC criou os QEs, por muitos criticados), a atuação do FED é questionadaTeorias à parte, o certo é que a direção apontada pelo principal BC do planeta afeta os fluxos de capitais internacionais. Num mundo de globalização financeira, tal fato é determinante para a saúde dosbalanços de pagamentos dos países emergentes, via conta financeira.

Todo esse preâmbulo tem a ver com a dificuldade do nosso país em lidar com os ajustes que se fazem imperiosos. Apesar das recentes delações dos Odebrechts e da OAS terem causado uma forte turbulência no mundo político, as indicações de que as reformas vão caminhar no Congresso parecem alvissareiras (vide a trabalhista). Contudo, aqui no Brasil, o ótimo é inimigo do bom.

Por quê?

Parece bastante claro que a reforma da Previdência, a mais importante de todas, passará bastante desfigurada. Apesar de positiva, pois reduz a taxa de crescimento do déficit para próximo de zero, a chance de termos de promover uma nova reforma em uma década beira os 100%. Assim, mais uma vez, a sociedade desperdiçará a oportunidade ímpar de ajustar o nosso mais grave desequilíbrio fiscal e qucompromete as gerações futuras.

Minha preocupação refere-se, exatamente, à volta da normalidade econômica nos EUA. Com a economia de lá nos eixos, os capitais internacionais tendem a retornar para casa, o que provoca, como dito, impacto nos fluxos para os emergentes, pois haverá uma tendência de valorização da moeda americanaAssim, muitos países que atraíram as chamadas operações “carry and trade” perderão dólares. Sob essa ótica, ao ficarem mais seletivos, os capitais abandonarão com maior intensidade e rapidez aqueles países que apresentam expressivos desajustes macroeconômicos, que é o nosso caso.

Apesar, repito, de ser benéfica a mini reforma que se vislumbra, em breve ficará claro para os mercados que os ajustes atuais são temporários.Podemos assistir um entusiasmo de curto prazo, inclusive com efeitos positivos sobre a taxa de câmbio; mas provavelmente efêmero. Meu maior temor é que o ambiente de Fla x Flu que a nação vive desde o pleito de 2014 se intensifique com a campanha eleitoral do ano que vem e, no limite, nos vejamos diante de uma eleição presidencial com perspectiva de “estresse” cambial, colocando nosso BC em modo risk on”, pois tal situação teria efeitos adversos sobre o comportamento da inflação e da taxa de juro.

O que resta ao país, agora, é voltar o mais rapidamente ao crescimento, para que possamos aumentar a arrecadação e reduzir o déficit pelo lado da receita, e não do gasto, já que por essa via a sociedade tem se mostrado refratáriaAssima queda da SELIC tem de prosseguir, o ambiente político precisa desanuviar e o cenário internacional colaborarTodos esses eventos não são triviaisSe lograremos êxitoAí, como canta Fábio Jr, pai do Fiukem um dos seus grandes sucessos: Só o tempo vai dizer´”.

Alexandre Espirito Santo, Economista da Órama e Prof. IBMEC-RJ

Alexandre Espírito Santo
economista@orama.com.br

Economista pela UERJ Mestre em economia, membro imortal da Academia Nacional de Economia.

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