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BOLSA É PARA LONGO PRAZO

bolsa

BOLSA É PARA LONGO PRAZO

Recentemente, fiz uma palestra para jovens funcionários de uma grande empresa, explicando a importância de se investir desde cedo. Quando abordei os investimentos em ações, comentei que a volatilidade (nome que o mercado adota para níveis de risco) do mercado brasileiro vem caindo nos últimos 30 anos, e que vejo esse aspecto com bons olhos, uma vez que, no longo prazo, o retorno da bolsa tende a ser compensador. Resolvi explicitar essa minha afirmação em um estudo concreto, motivo deste texto.

Coletei a cotação do Ibovespa, em US$, para analisar a série histórica, iniciando o estudo no governo Collor, em março de 1990, vindo até o presente, em 20 de julho. Somente para facilitar, fracionei a análise nos períodos pelos presidentes da República (quadro abaixo), calculando a volatilidade diária efetiva da série, e as anualizei para o ano de 252 dias úteis (tal procedimento é feito multiplicando o desvio-padrão diário da série por raiz de 252).

Presidente Volatilidade diária Ganho período Quantidade
  anualizada (252 d.u.) em US$ pregões
Temer 20,50% 15% 465
Dilma 23,74% -57% 1.404
Lula 38,80% 1203% 1.980
FHC 43,20% -38% 1.978
Itamar 52,60% 237% 551
Collor 70,60% 14% 629

 

Como o leitor pode perceber, minha afirmação estava correta: a volatilidade veio caindo sistematicamente, desde a presidência de Collor até Temer. Isso é bem positivo para nosso mercado, pois mostra um claro amadurecimento, a despeito de todos os problemas que nossa economia e a política vêm enfrentando. No limite, estamos caminhando para nos assemelharmos a mercados mais desenvolvidos.

Aproveitando o estudo, faço uma rápida análise dos períodos presidenciais, a partir da saída do presidente Collor.

Como pode-se notar, o período Itamar foi bastante bom. Em minha visão, o ponto principal foi o fato de estarmos no início da estabilização com o Real, o que representava uma grande oportunidade para quem via o Brasil com bons olhos e queria apostar no seu futuro. Havia, contudo, enorme volatilidade, e o mercado ainda era relativamente pequeno, sem contar as incertezas, tanto políticas quanto econômicas.

Já o presidente Fernando Henrique sofreu com várias crises (Ásia, Rússia, a nossa própria, Argentina, Pontocom, 11 setembro), é até natural que o desempenho tenha sido ruim. O mercado havia subido muito na expectativa da sua eleição, e as crises complicaram o desempenho da economia. Penso, contudo, que seu governo teve grande importância, pois consolidou a estabilização, além de colocar a bolsa do país definitivamente no radar global, face, sobretudo, ao programa de privatizações. Depois, com o período pré eleição de Lula, com todo o medo de descontinuidade, as ações se ressentiram fortemente, com o dólar disparando para os R$ 4.

Já a Presidência de Lula (quando ele se torna o “Lulinha paz e amor”) pegou o vento a favor da economia mundial e o efeito China sobre as commodities. O primeiro mandato de Lula foi mágico para a bolsa brasileira! O desempenho ali foi catapultado pelo investment grade alcançado e pela generosa onda de IPOs, o que ajudou, inclusive, na queda do dólar. O principal, contudo, é que Lula manteve o tripé macroeconômico e teve um Banco Central (BC) muito pragmático e comprometido com a estabilidade de preços. Lula só sofreu no finalzinho do seu segundo mandato, com a crise global de 2008.

Com Dilma, a situação se inverte, pela mudança de postura do seu governo em relação ao tripé macroeconômico, com um BC que o mercado percebe ser menos autônomo e mais leniente com a inflação.  Além disso, há os problemas fiscais em série, a chamada contabilidade criativa, capitalização de BNDES, BB e CEF e o retorno dos déficit gêmeos. Há que se considerar que no período Dilma vivemos, de fato, o fim do boom das commodities nos mercados internacionais, que vigia antes de 2008.

Depois do impeachment de Dilma, em 2016, Temer procurou estabilizar a economia, especialmente dando poder ao seu ministro da Fazenda e ao BC. A condução de uma política fiscal (com tentativas de ajustes) e monetária mais ortodoxas, permitiu uma recuperação do mercado, muito deprimido pela maior recessão da nossa história, no período anterior.

Para finalizar, na janela de tempo estudada, que vai de 1990 até agora, o Ibovespa ganhou expressivos 1.436% em dólares. Para quem é jovem e deseja formar uma carteira de longo prazo em ações, a história é boa parceira, inclusive porque a volatilidade vem caindo consistentemente.

Alexandre Espirito Santo, Economista da Órama e prof. IBMEC-RJ

Alexandre Espírito Santo
economista@orama.com.br

Economista pela UERJ Mestre em economia, membro imortal da Academia Nacional de Economia.

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