HOW CAN I SAY “OBA-OBA”? - bestmoney
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HOW CAN I SAY “OBA-OBA”?

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HOW CAN I SAY “OBA-OBA”?

HOW CAN I SAY “OBA-OBA”?
No início da crise de 2008, surgiu uma expressão (em inglês) que ficou famosa: “Decoupling”.

A ideia era de que os países periféricos, por eufemismo chamados de emergentes, iriam se descolar das economias centrais, chafurdadas naquele momento na crise dos subprimes. O tal “descasamento” ocorreria através de uma lógica um tanto quanto pueril: por serem países com grande população, classe média pujante, com enorme potencial de crescimento (via consumo e investimentos), tenderiam a receber os recursos que seriam deslocados das economias centrais. A força dessa expressão, inclusive, encontrava embasamento no acrônimo de Jim O’Neill: BRICS. Ledo engano!

Não levou muito tempo para os mercados descobrirem que a globalização era boa e ruim para todos. Apesar de economias como a da China terem sido menos prejudicadas na celeuma, a tese de descolamento era nitidamente uma falácia.

Agora, neste momento adverso da história brasileira, vivemos, em relação aos mercados financeiros locais, uma espécie de “Decoupling II – A missão”, numa analogia que faço aos filmes de Rambo. Explico:
Nosso país vive uma triste realidade, tanto política quanto econômica. Não entrarei, aqui, no mérito político, pois não tenho expertise. Atenho-me, exclusivamente, à economia. Não temos Rambo; temos rombo! E ele é paquidérmico. O problema é que as receitas com impostos foram duramente impactadas para baixo, visto que a economia anda a passos de caranguejo, e os gastos não são reduzidos no tamanho que compense a perda de arrecadação. Como a crise política adiou sine die a reforma da previdência (nosso principal problema), a situação fiscal não é nada alvissareira. Para agravar, a relação dívida sobre PIB caminha para níveis para lá de preocupantes: 80% no critério FMI.

O que mais incomoda é que os mercados financeiros internacionais continuam “comprados” numa estapafúrdia hipótese de que a política monetária dos principais bancos centrais ficará acomodatícia ainda por longo período e que sua saída será gradual e organizada, o que acaba por contagiar a tudo e a todos (inclusive nós). Nesse sentido, vivemos uma espécie de “oba-oba”, que contamina a racionalidade, e os fundamentos passam a ser acessórios, quando (de fato) são o que mais há de essencial. O que quero dizer é que esse descolamento dos mercados via à vis o lado real da economia não é nada bom, e improvável de se perpetuar.
Aqui dentro, tenho ouvido e lido importantes analistas de mercado (nem tanto os acadêmicos) com um discurso de que a queda em curso da taxa SELIC, promovida pelo Banco Central, prosseguirá até 7%, com chances de que isso ocorra até o fim deste ano. Pode ocorrer, claro! Mas seria aconselhável? Ano que vem, um ano eleitoral de difícil previsão, se algo der errado (a inflação ficar acima de 4% ou os candidatos não forem reformistas, por exemplo) e a taxa tiver que subir, será um péssimo sinal. É prudente que o COPOM realmente ouse nessa magnitude? Penso que não!

Sobre a taxa de câmbio, as projeções dos mais otimistas dão conta de que o dólar cairá abaixo dos R$ 3, em breve. Em relação à bolsa, dizem que é “só comprar e esquecer”. Discordo de ambas as visões. Minha impressão é que está “todo mundo” apostado nessa hipótese do “Decoupling II” por aqui. Vale enfatizar, contudo, que os volumes negociados estão baixos e ninguém quer ser o primeiro a vender e peitar o fluxo. Como não há fundamentos para comprar adicionalmente, a não ser essa abissal liquidez internacional que ainda prossegue, fica um mercado meio “sem graça”. É como aquele churrasco insosso, onde ninguém quer lagar o osso, mas também não se compra mais carne.

Se há um “oba-oba”, como creio, sugiro cada vez mais cautela. Entregue seus recursos para bons gestores, que sabem dimensionar a relação risco x retorno. Não caia na tentação de que os fundamentos serão sobrepujados pela liquidez. Não é razoável, no longo prazo. Não deu certo em outras oportunidades.

Alexandre Espirito Santo, Economista da Órama e Prof. IBMEC-RJ

Alexandre Espírito Santo
economista@orama.com.br

Economista pela UERJ Mestre em economia, membro imortal da Academia Nacional de Economia.

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