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IDADE DO “CONDOR”

condor

IDADE DO “CONDOR”

No fim de janeiro, após 35 anos trabalhando numa mesma instituição, minha mãe decidiu se aposentar. Tal decisão certamente não é simples na vida de ninguém, especialmente quando a pessoa está gozando plenamente de sua capacidade intelectual. Todavia, a despeito dos avanços da medicina, a idade é implacável com todos. O problema é que o cérebro comanda, mas o corpo não obedece da melhor maneira, pois estamos na idade do “condor” (com dor aqui, com dor ali).

Parar de trabalhar, se aposentando ou mesmo de outra forma, pode ser o objetivo de muitos. Porém, cabe lembrar que ficar ocioso não é bom para nenhum ser humano. Já está comprovado, cientificamente, que o ócio não é bom para a saúde (deixemos de lado o ócio criativo). Ademais, para tomar essa difícil decisão, é preciso ter fonte(s) de renda, para que possamos nos sustentar pelo restante da vida.

Em relação ao parágrafo acima, uma forma comum aos brasileiros é o INSS, a aposentadoria tradicional. Nela, o ora trabalhador, doravante aposentado, receberá mensalmente uma importância do governo, que tem relação com critérios estabelecidos pela Constituição Federal. Nesse sentido, se formos avaliar o que o novo governo pretende nessa seara, é promover uma reforma da Previdência. Precisará de uma mudança na Constituição (propondo uma PEC), que exige a aquiescência de 3/5 dos congressistas. Nada simples!

Outra forma de um cidadão arcar com suas despesas, já aposentado, é utilizar sua poupança prévia, formada ao longo da sua vida laborativa. Essa poupança pode ser construída de diversas formas (ativos), como ações/dividendos, imóveis/aluguéis, fundos de investimentos, caderneta de poupança, entre outros. Só é preciso lembrar, contudo, que dinheiro, ao ser usado, acaba… Daí ser imperativo um planejamento adequado para o futuro.

Em 2018, o IBGE divulgou que a expectativa de vida dos brasileiros atingiu 76 anos, a maior já alcançada. Assim, quando a pessoa vai se aposentar precisa ter em mente essa figura. Eu, de minha parte, acredito que tal idade tende a subir. Minha projeção é que em 2030, a tendência seria algo em torno de 80 anos.
Tomando por base essa idade, um trabalhador que decida se aposentar hoje, e esteja com 65 anos, terá de simular, minimamente, uma “retirada” mensal por 180 meses (15 anos x 12 meses). Farei uma simulação, como exemplo, admitindo que a taxa de juros caia ao longo do tempo e, na média, fique em 0,5% mensal daqui por diante.
Admitamos que o sujeito gaste R$ 5 mil mensais e receba R$ 3 mil de aposentadoria do INSS. E que não tenha outra fonte de renda. Assim, para suas contas fecharem, ele precisaria ter de poupança, hoje, R$ 237 mil. Dessa forma, admitindo aquela taxa de 0,5% a.m., ele teria os R$ 2 mil que somar-se-iam aos R$ 3 mil do INSS para auferir os R$ 5 mil que gasta mensalmente, por 15 anos. Lembrando que os R$ 237 mil estariam aplicados num produto que renda 0,5% a.m. e que o benefício recebido do INSS seja corrigido pelo mesmo 0,5% mensal. Obs: A inflação é importante aqui, mas vamos admitir que ela permanecerá baixa.
Para terminar, é importante a conscientização de que o planejamento financeiro para sua vida é absolutamente necessário. Não podemos ficar torcendo para que as coisas aconteçam da melhor forma, seria imprudente. É óbvio que o aposentado pode ter auxílio dos seus filhos ou parentes, mas penso que essa não seja a melhor estratégia. Talvez, dependendo de cada família, essa ajuda possa ser considerada depois de transcorrido aquele tempo planejado. O ideal é que todos possam se organizar desde jovens, enquanto o trabalhador tem saúde e energia para ir acumulando sua poupança.

Alexandre Espirito Santo, Economista da Órama e prof. IBMEC-RJ

Alexandre Espírito Santo
economista@orama.com.br

Economista pela UERJ Mestre em economia, membro imortal da Academia Nacional de Economia.

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