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Ímã

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Se queres prever o futuro, examine o passado – Confúcio

Logo depois que terminei minha graduação em Economia, fui fazer um MBA em Finanças no IBMEC (1987), escola onde atualmente tenho a satisfação de lecionar. Ali tive um professor que nos ensinou que os mercados financeiros gostam de emitir “sinais”. Nessas mais de três décadas atuando como profissional de investimentos e análise, aprendi que o mercado “reverencia” as médias e que quando as cotações se descolam muito dessas devemos ficar atentos; é um sinal.

Nas últimas semanas, as moedas dos países emergentes vêm sofrendo uma forte desvalorização frente ao dólar. Dentre outras, perderam valor o peso argentino, a lira turca e o próprio real, que pulou de R$ 3,10 para R$ 3,80; uma baita desvalorização.

Grande parte desse estresse deveu-se: 1) À perspectiva de alteração da política monetária americana e 2) À política econômica que o governo Trump vem tentando impor, como, por exemplo, as barreiras comerciais, que afetaram países vizinhos (Canadá e México), e a declarada guerra comercial junto à China.

Em relação ao primeiro item, há uma incerteza por parte dos membros do FED sobre os rumos da inflação americana. O mercado de trabalho está muito aquecido, com o desemprego abaixo de 4%, e alguns analistas já falam em mais três aumentos de taxa de juro este ano (já houve um), perfazendo um total de quatro. Essa possibilidade era absolutamente descartada até poucas semanas atrás. Juros maiores nos EUA estimulam o regresso de dólares para o país.

Diante desse quadro de mau humor, fiz um exercício sobre a taxa de câmbio, que mostro a seguir, no gráfico abaixo.
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Com as cotações mensais da taxa, desde 1995, considerei as diferenças de inflações entre o IPCA (fonte: IBGE) e o CPI (inflação americana, fonte: Labor Dept. USA), para chegarmos à taxa de câmbio real, aquela que manteria a paridade de compra da moeda.

Escolhi iniciar o gráfico em 2004, pois contempla o período do ex-presidente Lula e o boom das commodities, além do sistema cambial já ser flutuante há meia década. A linha vermelha mostra a taxa de câmbio nominal (fonte: BCB), aquela que ocorreu de fato. Já na linha azul temos o câmbio real, aquele descrito acima. O corte de tempo vai de janeiro de 2004 até fevereiro de 2018, quando a taxa estava em R$ 3,15 (para não ser influenciado pelo estresse atual).

Indo em linha com aquele “sinal” lá de cima, da média, calculei-a (a do câmbio real) para esse período descrito, e plotei a linha horizontal preta. Seu valor é R$ 3,57!

Neste momento, como colocado no início, estamos com a taxa querendo se descolar da média, como aliás aconteceu por várias vezes ao longo desse período, tanto para cima quanto para baixo. Todavia, como o leitor pode observar, a média “funciona” como um ímã e, em todas as situações, as cotações reverteram a tendência de curto prazo e foram, depois, “atraídas” para a mesma.

Uma observação importante é que no caso do real a pressão sobre nossa moeda possui uma componente política, uma vez que a eleição de outubro se aproxima, e o cenário pré-campanha é nublado, uma vez que não há mais aquela “convicção” que o mercado nutria, como uma quimera, de que o vencedor seria um reformista.

Por fim, o nervosismo atual é compreensível e deve ser acompanhado com atenção. Querendo usar o ensinamento de Confúcio, tendo a fazer a leitura dos “sinais” passados: não podemos menosprezá-los. O balanço de pagamentos brasileiro está em situação relativamente confortável, financiável sem grandes sobressaltos, e possuímos reservas internacionais em tamanho expressivo (U$ 380 bi) para sofrermos um ataque especulativo. Acreditar que o câmbio possa disparar, se descolar ainda mais da média, como se não houvesse amanhã, é uma aposta arriscada. É preciso acreditar que vai dar tudo errado!

Alexandre Espirito Santo, Economista da Órama e Prof. IBMEC-RJ

Alexandre Espírito Santo
economista@orama.com.br

Economista pela UERJ Mestre em economia, membro imortal da Academia Nacional de Economia.

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