O Luxo das Denominações de Origem - bestmoney
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O Luxo das Denominações de Origem

doc

O Luxo das Denominações de Origem

As siglas variam, mas seu significado é basicamente o mesmo. DOC significa “Denominação de Origem Controlada” e corresponde a outras, como a francesa AOC (Appellation D’origine Contrôlée), a também DOC italiana (Denominazione di Origine Controllata), a espanhola DO (Denominación de Origen) e a europeia DOP (Protected Denomination of Origin).

Embora mais conhecidas em relação aos vinhos, essas e outras terminologias podem ser adotadas para muitos outros produtos, inclusive não alimentícios. E, além da limitação geográfica, elas garantem que a elaboração dos itens protegidos seja conduzida segundo um savoir faire (saber-fazer) coletivo regional específico, que leva em conta singularidades naturais, culturais, organizacionais e tecnológicas.

No caso do vinho, por exemplo, as regras envolvem sua origem, detalhes como a quantidade de videiras plantadas por hectare, o volume produzido, o tipo de vinho, as uvas utilizadas em sua assemblage (ou blend), volume de álcool, grau de acidez e até fatores históricos.

O Vinho do Porto foi o primeiro agraciado com uma Denominação de Origem, em 1756. No entanto, foi na França que a prática se tornou mais representativa, incluindo itens como os vinhos Bordeaux, Bourgogne e Champagne, os queijos Roquefort e Camembert de Normandie, e ainda manteigas, cremes, frutas, cereais, mel, pimenta, carnes e embutidos. Na Alemanha, há o Vinho do Reno. Na Itália, a Patata (batata) típica de Bologna, os queijos Parmeggiano e Grana Padano e o Prosciutto (presunto) di Parma, e por aí vai.

Não é difícil compreender as vantagens trazidas por essas denominações. Elas funcionam como “grifes” que conferem confiança ao consumidor, sinalizando que aquele é um produto especial, de alta qualidade. Adicionalmente, são sinônimos de prestígio e distinção e o fato de indicarem uma procedência única denota sua raridade. Ou seja, os selos de origem comunicam atributos naturalmente associados aos bens de luxo. Consequentemente, os consumidores tornam-se dispostos a pagar por itens assim identificados preços mais altos do que desembolsariam por outros da mesma categoria, porém não dotados de tal reputação.

Outro benefício dos títulos de procedência é que os produtos que eles chancelam são bastante valorizados no mercado internacional. Mas é importante lembrar que eles também promovem o desenvolvimento local e podem até fomentar atividades turísticas.

O Brasil assinou o Acordo de Lisboa, de 1958, que instituiu a proteção internacional das apelações de origem através do registro na Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI). Os vinhos e aguardentes devem ser registrados na Oficina Internacional da Uva e do Vinho (OIV), com sede em Paris. Posteriormente, foi criada a Lei de Propriedade Intelectual brasileira, que protege a Indicação de Procedência (nome do local que se tornou conhecido por determinado produto ou serviço) e a Denominação de Origem (nome geográfico que designa o produto ou serviço em questão).

Em 2017, foram listados pelo IBGE 53 produtos e serviços brasileiros detentores de Selos de Indicação Geográfica (IG). São exemplos de itens consagrados dessa forma os vinhos e espumantes do Vale dos Vinhedos (Rio Grande do Sul), o camarão da Costa Negra (Ceará), a renda do Cariri (Paraíba), as cachaças de Paraty (Rio de Janeiro), Salinas (Minas Gerais) e Abaíra (Bahia), o artesanato em estanho de São João Del Rey (também Minas), as opalas e joias artesanais de Pedro II (Piauí), o mel do Pantanal (Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) e as panelas de barro de Goiabeiras (Espírito Santo), entre outros.

Certamente ainda há muitas riquezas locais a serem protegidas e apresentadas ao mundo!

Rosana de Moraes
rosanademoraes@globo.com

Rosana de Moraes é mestre em Administração de Empresas com ênfase em Marketing / Comportamento do Consumidor. Publicitária, tem especializações em Marketing, Varejo e Serviços e Luxury Products Management. É professora em MBAs e cursos de extensão, é também palestrante convidada por empresas e instituições de ensino superior. Na área corporativa, atua há mais de duas décadas no mercado de luxo, tendo sido responsável pelas áreas de Comunicação e Marketing de marcas como Amsterdam Sauer e relógios Dior, Hermès, Ulysses Nardin, Breguet, Revue Thommen, Vulcain e Concord no Brasil. É Diretora da RM Lux Consultoria e Conhecimento.

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