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Upcycling – Luxo Nascido do Lixo

Upcycling

Upcycling – Luxo Nascido do Lixo

Nesses tempos de saudável valorização da economia circular e da sustentabilidade, ganha relevância o upcycling. A prática consiste em converter produtos e materiais indesejados em novos itens de melhor qualidade e maior valor que seus antecessores (daí o prefixo “up”). Diferentemente do que ocorre na reciclagem, na “transformação para cima”, em tradução livre, produtos já existentes são reaproveitados, sem prévia destruição ou intervenções químicas. Ganham, assim, um prolongamento de seu ciclo de vida, através de uma ressignificação criativa.

Embora a reciclagem também reduza a quantidade de resíduos descartados na natureza e o consumo de novas matérias-primas, muitos defendem que o upcycling está um passo à frente dela na questão ambiental. Isso porque o processo de reciclagem ainda envolve consumo de energia e de água e alguma poluição, embora em menor medida que a produção de itens totalmente novos.

Além de representar uma alternativa produtiva mais sustentável, o upcycling vem se revelando uma excelente oportunidade de negócios e fonte de inovação para diversas marcas. São exemplos as linhas de vestuário e acessórios que utilizam sacos de cimento e outros tecidos já utilizados, as bijuterias nascidas de cápsulas de café vazias, os móveis feitos com peças de bicicleta ou tambores de metal e uma infinidade de criações que empregam “lixos” cuja decomposição na natureza levaria, no mínimo, décadas.

A ideia dialoga especialmente com os negócios dedicados a produtos de luxo e premium, pois envolve três ingredientes fundamentais nesses universos: a exclusividade, a confecção em grande parte artesanal e uma boa dose de história. Explico: resultantes da utilização de objetos geralmente diferentes entre si, a maioria das peças nascidas de upcycling são únicas ou têm pequenas tiragens. Pelo mesmo motivo, há grande participação de trabalho manual no processo, de forma a extrair dos objetos originais o máximo de seu potencial de beleza e aproveitamento. E, finalmente, os novos bens criados trazem consigo um passado que os torna muito sedutores – storytelling na veia.

Um exemplo entre as marcas tradicionais de luxo que aderiram ao upcycling é o da francesa Hermès, que desenvolve há anos a linha Petit H, utilizando retalhos de pele e couro resultantes da produção de suas famosas bolsas. Pelas mãos de artistas plásticos, nascem obras de tiragem unitária, como esculturas, luminárias, carteiras, chaveiros… Também vale lembrar o casaco elaborado com tapete usado, que a estilista Sarah Burton apresentou como parte da coleção Primavera’2018 da grife Alexander McQueen. E ainda chama atenção a transformação artística da madeira de shapes de skate em objetos únicos de decoração.

É a recriação da beleza e do charme em processos nos quais nada se perde; tudo se transforma. A natureza e nossos olhos agradecem.

Rosana de Moraes
rosanademoraes@globo.com

Rosana de Moraes é mestre em Administração de Empresas com ênfase em Marketing / Comportamento do Consumidor. Publicitária, tem especializações em Marketing, Varejo e Serviços e Luxury Products Management. É professora em MBAs e cursos de extensão, é também palestrante convidada por empresas e instituições de ensino superior. Na área corporativa, atua há mais de duas décadas no mercado de luxo, tendo sido responsável pelas áreas de Comunicação e Marketing de marcas como Amsterdam Sauer e relógios Dior, Hermès, Ulysses Nardin, Breguet, Revue Thommen, Vulcain e Concord no Brasil. É Diretora da RM Lux Consultoria e Conhecimento.

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