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UM CONVITE À PROSPERIDADE

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UM CONVITE À PROSPERIDADE

No primeiro trimestre deste ano, fui a um evento no IPEA, onde discutiu-se, num painel de análise macroeconômica, as perspectivas para nosso país ao longo de 2018. Esse evento, recheado de economistas e analistas políticos (e que acontece trimestralmente), foi uma excelente oportunidade para analisarmos cenários prospectivos, incluindo as eleições que ocorreriam em outubro.

Em determinado momento do encontro, um importante cientista político brasileiro afirmou, categoricamente, que não havia chance de Bolsonaro se tornar presidente do Brasil. O argumento por ele sustentado era de que Lula estava fragilizado e, que, mesmo se viesse a concorrer, perderia para o candidato do PSDB, que teria condições políticas ideais de aglutinar as forças antipestistas. Ademais, segundo sua visão, não se ganha eleições no Brasil sem tempo de TV. Bolsonaro não teria (nisso ele acertou) nem 30 segundos e, mais ainda, seu partido era pequeníssimo e sem organização. Porém, sua afirmação mais enfática foi de que o PSL teria acesso inexpressivo ao fundo partidário: “sem dinheiro não se faz campanha e, por conseguinte, não se vence”, vaticinou. Logo, seguindo essa análise, a enorme probabilidade era de o PT perder a eleição para Alckmin ou, eventualmente, para Ciro.

Saí de lá convencido de que jamais seria um bom analista político, pois minha leitura era substancialmente diferente. Em minha cabeça, martelavam as seguintes questões: como assim, tempo de TV? E as redes sociais? E as transmissões “live” (eu mesmo as faço muitas vezes, com boa audiência)? E a eleição do Obama? E a do Trump? Aqui é diferente de lá? Aqui não temos Face e Zap? E se Bolsonaro (já chamado de mito àquela altura) conseguisse aglutinar o antipetismo e se utilizasse dessas “modernidades”? Em minha visão, como economista e profissional de mercado, havia, sim, chances de Lula vencer (ou mesmo seu “preposto”), mas, para mim, seu adversário seria Bolsonaro.

Pano rápido. Bolsonaro venceu a eleição com uma campanha de R$ 1,5 milhão, o que mostra que não é só o mundo que muda rapidamente, mas a percepção de como vemos o mundo precisa se ajustar diariamente! A realidade é que novas premissas se impõem quando nos defrontamos com novas tecnologias.

Agora que a campanha está no retrovisor, voltemos à vida. Temos um contingente de mais de 12 milhões de desempregados, e é preciso dar esperança para essas pessoas e suas famílias. São muitos anos de sofrimento e PIB pífio. Deixemos as ideologias e dogmas de lado e miremos para o futuro da nação, com o crescimento como meta. Não podemos permanecer com esse Fla x Flu insano e torcer para dar errado para satisfazermos nossos egos.

O governo Bolsonaro tem inúmeros desafios no campo da economia. Enfatizo que precisamos resgatar a responsabilidade fiscal, arranhada desde 2014. Sem ela, a relação dívida sobre PIB (hoje em 77%), que é crescente, tornar-se-á mais do que preocupante. Para revertê-la precisamos das reformas, especialmente a da Previdência. O país envelhece rapidamente, e o número médio de filhos das famílias no país já é menor que dois. A pirâmide etária está virando de cabeça para baixo. Não há como sustentar a previdência no médio prazo. O ponto crucial é como fazer essa reforma? Regime de capitalização? Misto?

Apesar do país dividido, é hora de trabalhar. Vamos voltar a crescer, gerar renda e emprego. Se trabalharmos juntos, unidos, temos espaço para uma grande virada. Oposição por oposição não é saudável. Os empresários querem investir, mas precisam de regras claras e investimentos em infraestrutura, para lhes dar suporte. Vamos enxugar o Estado e priorizar o emprego. As instituições estão sólidas e assim continuarão, mormente se a economia estiver forte. Por que não damos oportunidade à prosperidade?

Alexandre Espirito Santo, Economista da Órama e prof. IBMEC-RJ

 

 

Alexandre Espírito Santo
economista@orama.com.br

Economista pela UERJ Mestre em economia, membro imortal da Academia Nacional de Economia.

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